quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mês de Maria- O meu



Porque Maria disse sim;
Porque ser Mãe implica haver Pai;
Porque ser Mãe quer dizer ter Filho;
Porque Filho, Pai e Espírito operam maravilhas e por isso à Mãe chamarão Bem-aventurada todas as gerações;
Porque dia 8 é o dia que sempre foi e será para mim o Dia da Mãe (para além dos outros todos em que a minha Mãe que me gerou está e estará presente na minha vida);
Porque é Natal;
Porque O único porquê é Ele
ofereço-vos esta imagem que fiz em Assis

E este poema de José Carlos Ary dos Santos

Avé Maria do Povo


Avé Avé Maria
mulher de um carpinteiro
e mãe do homem novo
Senhor do mundo inteiro.

Avé mulher do povo
Maria camponesa
que trazes sangue novo
ao corpo da tristeza.

Ouve esta nossa voz
nós vos rogamos por nós
por nós que estamos sós
e quase abandonados.

Senhora da má sorte
sem culpa concebida
nós não pedimos a morte
nós só pedimos a vida.

Ouve esta nossa voz
nós rogamos por nós
por nós que estamos sós
e mal-aventurados.

Senhora da ternura
senhora da alegria
teu fruto está maduro.
É quase um novo dia.

Natal Natal

domingo, 16 de novembro de 2008

Onde estão os talentos que te dei?



Hoje é o XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Evangelho é um dos meus favoritos


Evangelho segundo S. Mateus 25,14-30.

«Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu. Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’ O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: 'Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ O senhor respondeu-lhe: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.’ Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. ‘»


Muitas vezes temos conhecimento de que é necessário colaborar em diversas tarefas na sociedade em que estamos inseridos, quer nas coisas da Igreja, quer em trabalhos voluntários de apoio aos que precisam. Arranjamos mil e uma desculpa para não sairmos de casa e não colaborarmos seja no que for. A principal desculpa é: eu não sei fazer isso, não sei cantar, não sei falar, não sei ensinar, não sei fazer nada. Não nos lembramos de que nenhum de nós ou quase nenhum somos especialistas, apenas temos boa vontade e se não temos 10 talentos teremos pelo menos um e esse pode ser essencial para alguma tarefa que mais ninguém sabe fazer ou para ajudar a quem já tem alguma experiência. Portanto façamos render esse único que temos ou se temos mais escolhamos aquele que mais falta faz. Não escondamos os nossos talentos, ponhamo-los a render.

sábado, 4 de outubro de 2008

Meu São Francisco

Hoje é o seu dia e eu peço ao Pai que me faça instrumento e que eu acima de tudo deixe que Ele me faça sempre Seu instrumento da Paz.

Paz e Bem






Angelo Branduardi - Il Cantico delle Creature

A Te solo buon Signore
si confanno gloria e onore
a Te ogni laude et benedizione
a Te solo si confanno
ché l'Altissimo tu sei
e null'omo degno è
Te mentovare.

Si laudato mio Signore
con le Tue creature
specialmente Frate Sole
e la sua luce.

Tu ci illumini di lui
ch'è bellezza e splendore
di Te Altissimo Signore
porta il segno.

Si laudato mio Signore
per sorelle Luna e Stelle
ché tu in cielo le hai formate
chiare e belle.

Si laudato per Frate Vento
aria, nuvole e maltempo
che alle tue creature
dan sostentamento.

Si laudato mio Signore
per sorella nostra Acqua
ella è casta, molto utile
e preziosa.

Si laudato per Frate Foco
che ci illumina la notte
ed è bello, giocondo
e robusto e forte.

Si laudato mio Signore
per la nostra Madre Terra
ella è che ci sostenta
e ci governa
Si laudato mio Signore
vari frutti lei produce
molti fiori coloriti
e verde l'erba.

Si laudato per coloro
che perdonano per il tuo amore
sopportando infermità
e tribolazione
e beati sian coloro
che cammineranno in pace
ché da Te buon Signore
avran corona.

Si laudato mio Signore
per la Morte Corporale
che da lei nessun che vive
può scappare
e beati saran quelli
nella Tua Volontà
ché Sorella Morte
non gli farà male.

Esta é uma das interpretações da Oração de S Francisco que mais gosto. Pelo autor da música que tão bem a canta: Fagner

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vós me seduziste



Do conjunto das Leituras e Evangelho do passado Domingo foi exactamente a primeira leitura que mais me calou fundo na alma.

Jer 20,7-9

Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir;
Vós me dominastes e vencestes.
Em todo o tempo sou objecto de escárnio,
toda a gente se ri de mim;
porque sempre que falo é para gritar e proclamar:
«Violência e ruína!»
E a palavra do Senhor tornou-se para mim
ocasião permanente de insultos e zombarias.
Então eu disse:
«Não voltarei a falar n’Ele,
não falarei mais em seu nome».
Mas havia no meu coração um fogo ardente,
comprimido dentro dos meus ossos.
Procurava contê-lo, mas não podia.

Fui eu a lê-la na nossa Eucaristia e acredita que me falhou a voz várias vezes. As diversas traduções da leitura usam, umas, a palavra sedução, outras a plavra cativar e ambas significam uma persistência, um trabalho contínuo de conquista do outro. Sim, o Pai não baixa os Seus braços no jogo amoroso com que nos quer seduzir e nós temos, apenas e só que nos abandonarmos confiantes de que só seremos felizes deixando-nos amar por esse amor louco com essa loucura com que só Ele sabe amar, loucura, sim, pois só quem ama loucamente se dá da forma como Deus Se dá dando o Seu filho unigénito, ÚNICO, para que aprendamos e vivamos o AMOR. Agora será que estaremos interessados em sermos amados e amarmos dessa forma? Será que nos abandonamos a esse amor? É que também não é fácil assumirmos uma paixão embaraçosa, uma paixão que nos exige, também, um amor sem limites ao OUTRO, ao vicioso, ao doente da alma e do corpo, áquele de quem desviamos o olhar e cuspimos no chão ou mesmo cuspimos no rosto como cuspiram no rosto do Ecce Homo. Somos tão frágeis, mas como Paulo/Saulo temos de ser fortes quando somos fracos e só "nEle poderá descansar a nossa alma". Que sintamos esta atracção e vamos mais longe e sintamos que nos é impossível não corresponder a esse amor apaixonado e digamos como Jeremias " havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia." e só assim poderemos fazer o que Paulo nos pede na Segunda leitura retirada da sua carta aos cristãos de Roma

"Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus,
que vos ofereçais a vós mesmos
como vítima santa, viva, agradável a Deus,
como culto racional.
Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos,
pela renovação espiritual da vossa mente,
para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus,
o que é bom,
o que Lhe é agradável,
o que é perfeito.

E assim pegarmos na cruz e seguirmos o Mestre do Amor, sem reservas como Ele exige a Pedro.

Cativa-me Pai, seduz-me e que eu te ame sem limites nem reservas no OUTRO.


SALMO 62 (63)

Refrão:

A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.
Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,
como terra árida, sequiosa, sem água.
Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais do que a vida;
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.
Serei saciado com saborosos manjares,
e com vozes de júbilo Vos louvarei.

Porque Vos tornastes o meu refúgio,
exulto à sombra das vossas asas.
Unido a Vós estou, Senhor,
a vossa mão me serve de amparo.


Sugiro:http://www.agencia.ecclesia.pt/cal/54/default.asp?jornalid=54

Abraço fraterno

Ana

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Fórmulas


Quando é dito: que Deus esteja com este ou com aquele e em muitas circunstâncias de, principalmente de dor ou perda, penso sempre que Ele está SEMPRE com todos independentemente das tais circunstâncias, nós é que nem sempre estamos com Ele, o aceitamos, o sentimos. Gosto das fórmulas: "Vai com Deus", “fica com Deus”, estas sim representam o livre arbítrio de O aceitarmos nas nossas vidas, de irmos com ou estarmos com Ele seja para onde for que Ele vá e aqui eu lembro-me da belíssima oração do Abandono, não sei o que queres de mim, mas seja o que for eu aceito e é nesse ponto que eu titubeio o FIAT assim quase sem voz porque eu não consigo abandonar-me, não consigo dizer que se faça em mim a vontade do Pai, seja ela qual for pois tenho medo de “perder” o que conheço, o conforto do imediato, as coisas que são “minhas” (pois nada é meu), os objectos, as pessoas, tudo o que tenho como certo. Tantas, mas tantas vezes me apetece aninhar abandonada no colo do Pai/Mãe e esperar que os Seus dedos me afaguem a cara, me despenteiem, me sequem as lágrimas e ficar a dormir sem hora para nada, sem pensar na vida que tem que ser vivida pois o tempo não espera… e eu perplexa a ver que os meus cabelos ficaram entretanto mais brancos, nada esperou, só Ele está lá, braços abertos pois o tempo dEle não é o meu tempo, mas é bom que eu não me “atrase” no que é preciso ser feito antes do fim do meu tempo pois apesar da Misericórdia eu quero estar na eternidade feliz por ter feito render todos os meus talentos. Tenho 55 anos, já vivi mais de metade do meu tempo…será que fiz tudo o que poderia/deveria ter feito? O meu tempo escasseia, será, Pai, que fui fiel ao teu projecto? Será que me abandonei minimamente? Pai, qual o teu projecto para mim? Será que me fiz instrumento da Tua Paz sempre que precisaste ou alguém precisou? Será que eu neste momento faria a minha Páscoa de forma a ser acolhida por Ti com olhos de verem o Teu rosto?



Pai…!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Oportunidade a não perder


Um ano com Paulo de Tarso – aprender a esperança
A proclamação pelo Papa Bento XVI do Ano Paulino iniciado a 29 de Junho passado, assinalando os dois mil anos do Apóstolo Paulo, pode e deve constituir um bom pretexto para aprender alguma coisa com o Apóstolo dos gentios, ou seja, dos não-judeus.Ele que foi um judeu culto e rigorosamente observante do Judaísmo, levou a sua condição de fariseu até ao extremo de perseguir os primeiros cristãos. Dele se diz que “devastava” a Igreja. No entanto, o mesmo intransigente fariseu, mediante uma forte experiência de conversão, acaba tornando-se um discípulo apaixonado e um fogoso apóstolo de Jesus Cristo.Do muito que se pode aprender com Paulo, a partir dos seus escritos, a esperança é, claramente, um dos núcleos duros da sua mensagem. Ela tem a sua raiz no paradoxo da vida cristã. É que, a originalidade cristã está no facto de, mediante a Ressurreição de Jesus, a presença do mundo novo desejado por Deus para todos os humanos, já ser uma realidade em acção na história humana, embora de forma oculta. Contudo, é também uma presença ainda não plenamente manifesta, porque sempre-a-vir até à volta gloriosa e definitiva de Jesus, isto é, quando Deus for “tudo em todos” na expressão do próprio Paulo.A existência cristã vive-se neste tempo que medeia entre aquele já e o ainda não, em que todos os cristãos já vivem do Espírito Santo, mas esperam ainda o que o Apóstolo chama a “adopção filial e a libertação do nosso corpo” (Rom. 8, 18-23). É o tempo da esperança.Como diz o biblista Ravasi, a Esperança, parecendo a menor das três virtudes teologais, incluindo a Fé e a Caridade, é ela, no entanto, que leva pela mão aquelas duas virtudes maiores do Cristianismo. Ela manifesta-se como esperança física em todo o esforço humano por manter as pessoas de pé. Ao mesmo tempo, como esperança espiritual, traduz-se no Perdão que encoraja e permite retomar a vida, até mesmo quando ferida pelo desespero. É uma Esperança que volta para o futuro abrindo a história humana para a “utopia” da Jerusalém nova ou da vida em plenitude.Uma vez que, na perspectiva paulina, toda a Criação está ferida e sofre as “dores de parto”, também a Igreja participa da mesma dor. Com Paulo, herói da Esperança, ele sabe que a Primavera trabalha a terra e a criação inteira que Deus visita sempre de novo.Diante da dor sem esperança de tantos homens e mulheres, compete à Igreja ser testemunha da compaixão e uma presença que não julga ou um silêncio que acolhe o seu grito encaminhando-o para a Palavra de Deus feita carne na pessoa de Jesus Cristo.Nesta viagem humana feita no tempo, Paulo pode ser um guia ajustado às próprias circunstâncias em que se encontra a Igreja de hoje. Resta esperar que o Ano Paulino se revele uma feliz oportunidade a não perder.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Eu sou o Pão vivo que desceu dos Céus...


para dar a vida ao mundo."
"Ficarei convosco até ao fim dos tempos"
"Quem comer da minha carne nunca mais terá fome"