Domingo de Ramos no retiro na cidade

«Quando já se aproximavam de Jerusalém, chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras. » Evangelho Segundo S. mateus cap21, ver1
A meditação
A minha vida, dou-a
Eis-nos entrados na Semana Santa em que seguiremos Jesus subindo para a sua Paixão e para a cruz. Com a liturgia de Ramos, aclamamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém como um aperitivo do triunfo de Páscoa. É preciso, com efeito, estar-se deslumbrado pelo Cristo em glória para seguirmos Cristo, nas humilhações da sua Paixão sem perder o coração. Mas no entanto, a Semana Santa recorda-nos que não podemos tomar parte na alegria da ressurreição de Jesus sem comungarmos dos seus sofrimentos e da sua cruz.
Por certo a mensagem da cruz é, hoje como ontem, difícil de entender. O sofrimento e a morte parecem tão absurdos que é difícil falarmos nelas. Eles apelam sobretudo em consideração para aqueles que sofrem respeito e silêncio. No entanto, podemos calar-nos completamente? Neste mundo onde explode sob os nossos olhos tanto sangue inocente derramado, tantas vidas destruídas, tantos homens e mulheres que sofrem e morrem, não é o momento, no início da paixão, para além dos combates, ver as revoltas inevitáveis, procurar perto de Cristo na Cruz, não respostas ou explicações, mas uma fonte de luz e de paz?
Notemos antes do mais, que antes de todos os discursos temos que acolher a cruz como uma festa e um mistério maior do Evangelho. Porque Deus não nos fala logo através de discursos mas de feitos, acções, de gestos imensos que nos revelam a sua espantosa sabedoria. Para nos salvar, Deus não escolheu o que é privilégio de alguns: a riqueza, a ciência…, ele despojou-se, humilhou-se, como diz São Paulo, até tomar sobre ele o que afecta a o nosso próprio ser, o nosso sofrimento e a nossa morte. Com isso, o mais comum, o mais íntimo, mais recôndito, ele salva o mundo.
Também nas nossas provas, Cristo já não está longe de nós. Provado em tudo como nós, como nós, excepto no pecado, ele pode compartilhar com todos as nossas fraquezas e transfigurar todas as nossas feridas. Em silêncio, com efeito, Cristo conheceu as nossas dores, as nossas solidões, o despeito dos poderosos, a leviandade das multidões, a traição e o abandono dos amigos e mesmo as nossas agonias e o silêncio misterioso do Pai na hora da morte: «meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?» Mas o que muda tudo, são as palavras, todas de paz, que descerão da cruz: «Pai perdoa-lhes»; «Hoje estarás comigo no paraíso»; «eis a tua Mãe»; «Nas tuas mãos». Mas sobretudo, na Paixão segundo São João, Jesus aparece-nos como o Senhor Rei, o próprio Deus que nos dá a sua vida, por amor.
É verdade que Jesus foi «entregue» mas ele entrega-se ele mesmo. Na noite de Getsemani , quando o vêm prender, o próprio Jesus avança: «Quem procurais? Sou eu». Da mesma forma ele dá o último suspiro quando sabe que «tudo está consumado». Na cruz, Jesus faz-nos o dom total da sua vida. Na cruz do seu Filho, é o próprio Deus que nos fala da loucura do seu amor.
Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2011-04-16