terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson da Cruz recusa come...




Sinto-me orgulhosa desta Igreja!!

sábado, 11 de dezembro de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

As sete pausas


Jesus, O Cristo, dádiva suprema do Pai a todos os Seus filhos, muitas vezes se afastou, se recolheu, para intimamente orar, conversar como Pai. De tal forma o fez que os Discípulos um dia lhe pediram: "Mestre, ensina-nos a rezar". Jesus com palavras simples falou-lhes do que seria chamado de Pai nosso. Para rezar não são precisas nem palavras difíceis, nem fórmulas complexas, apenas um coração que se abre a Deus, uma alma que se desnuda diante do Pai que nos acolhe e ama incondicionalmente. Orar pode ser pedir (batei e abri-se-vos-á, pedi e ser-vos-á dado), mostrar gratidão pelo que acontece na nossa vida, acção de graças, ou apenas ao olhar a natureza que nos rodeia e traz escondida a mão generosa de Deus sentirmos a paz que se sente diante das coisas belas.
Tolentino Mendonça, o autor dos textos das sete pausas é um poeta da beleza das coisas, da beleza do amor, da beleza de Deus
Abraço fraterno

sábado, 12 de junho de 2010

Armani


A foto é da minha autoria e os pés que calçam estes sapatos são de Tolentino Mendonça (Feira do Livro do Porto)

Há alguns anos disseram-me que certo monge meu conhecido calça Armani, fiquei confusa pensando nas sandálias do tal Pescador, no voto de pobreza e pensei que de facto a árvore não pode fazer a floresta, pois se fizesse nada faria sentido. Hoje li este poema. Quem o escreveu, Tolentino Mendonça, não calça Armani. A floresta que me acolhe calça sandálias, sapatos vulgares, coçados. Assim, sim, tudo faz sentido.


O SILÊNCIO
Regressamos a uma terra misteriosa
trazemos uma ferida
e o corpo ferido
imprevistamente nos volta
para margens mais remotas


Giorgio Armani tinha declarado
àquele jornal inglês: «o luxo desagrada-me,
é anti-democrático.
Quero agora homenagear os operários de todo o mundo»
Eu só pensava em São João da Cruz
enquanto ouvia pela enésima vez:
«a moda substituiu o luxo
pela elegância»


João da Cruz fala de coroas,
resplendores, casulas
véus de seda, relicários de ouro e
diamantes


para lá do jogo das nossas defesas
qualquer coisa interior
a intensa solidão das tempestades
os campos alagados,
os sítios sem resposta


o teu silêncio, ó Deus, altera por completo os espaços


(De A estrada branca)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A visita de Pedro


Imagem retirada da net: http://www.photographersdirect.com/buyers/stockphoto.asp?imageid=1908663

Mergulhada num vale embebido de verde, a aldeia das Furnas, nos Açores, é certamente uma das mais belas do mundo. Com o vulcão acordado dia e noite, anos a fio, águas quentes, frias e mornas, fontes abundantes e humildes, um lago sereníssimo a espelhar os cambiantes do céu, a embriaguês das flores na sua variedade estonteante, tudo num singular enquadramento de montanhas, outros tantos miradouros geradores de silêncio respeitoso e prolongado com olhares pasmados. O vale das Furnas tantas vezes descrito por tantos escritores portugueses e estrangeiros.

Todos os anos, a seguir à Páscoa, acontece uma procissão peculiar. A procissão dos enfermos. O Santís-simo percorre as ruas e visita as casas dos doentes que O não puderam receber. Mas nessa viagem há uma particularidade: um longo tapete das melhores flores e ramagens das Furnas, artisticamente colocadas em “formas” numa harmonia esplendorosa de cores. As pessoas dizem apenas: “É O Senhor que vai passar aqui. Ele merece o melhor”. De todas as festas da terra é a que tem menos ruído e dispersão. E o que se percebe é que aquele monumento de beleza não é um gesto de vaidade mas de amor pelo Senhor que passa.

Pedro, na pessoa do Papa, vem visitar-nos. A notícia anda por aí entre polémicas e afirmações de fé: há quem pense que há flores a mais, excesso de tempo, perda de rentabilidade, gastos excessivos em decorações, peregrinações e encontros que podem ser mais exibição que devoção.

Será para muitos, um alemão, um antigo prefeito, um líder, um chefe de Estado. Mas sabemos quem nos visita. Habituámo-nos, ao longo de milénios, a olhá-lo para além da humanidade, para o que ele significa, transporta e projecta nas nossas comunidades: continuidade apostólica, unidade da fé, elemento congregador da ecclesia, comunidade cristã. E assim como o povo das Furnas diz que por mais ninguém era capaz de estender um tapete de flores, também os católicos em Portugal de 2010 sabem que por mais ninguém fariam uma festa tão solene. É Pedro que nos visita.

António Rego

In Ecclésia http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=79362

sexta-feira, 2 de abril de 2010

retiro na cidade - 41


A Palavra de Deus

“Estou crucificado com Cristo e já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim”
Carta de São Paulo aos Gálatas, Cap 2, vers 20

A Fé de Cristo, a morada do cristão

“Eu estou crucificado com Cristo”: apesar da primeira pessoa do singular, Paulo não pensa de forma alguma num favor que lhe estará reservado. Pois é verdadeiro que todo o cristão, quer dizer, todo o homem que, tendo dado a sua fé a Cristo, pode dizer: “é Cristo que vive em mim”. E o que vive ele em mim? A sua fé. Como reciprocamente, eu próprio vivo nesta fé. O Catecismo da minha infância colocava esta questão: “em que consiste a vida cristã?” Era preciso responder: “A vida de Cristo em mim”. Eu completo hoje dizendo que a fé cristã, é a fé de Cristo em mim. E não somente em mim mas em todos os baptizados. Estes são, com efeito, fraternalmente reunidos nesta fé do Filho de Deus como eles o seriam num Templo. Nesse Templo, que tem a forma de cruz, o acto de Jesus entregando-se ao Pai, o seu sacrifício, o seu grito: “Pai nas tuas mãos eu entrego o meu espírito”; torna-se acto de todos os seus irmãos, o sacrifício deles, o grito deles. Tanto e tão bem como no ano de 120, Inácio de Antioquia interrompeu a sua marcha para o martírio para escrever estas palavras aos cristãos de Esmirna: “Constatei que vos transformastes numa fé tão perfeitamente ajustada que ela não poderá nunca vacilar, é como se vós estivésseis colados carnalmente e espiritualmente à cruz de Jesus Cristo”.

Nós sabemo-lo demasiado bem: a nossa fé é uma planta tão frágil que ela não pode resistir a todas as intempéries. Ema necessita de um tutor no duplo sentido desta palavra. Este tutor é Jesus Cristo e a sua cruz.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Retiro na cidade - 40


Foto tirada de: buscandosonhos.com.br

Foto tirada de: buscandosonhos.com.br

A Palavra de Deus
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste
«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.»

Evangelhos segundo São Marcos, cap 15, vers 34 e segundo S. Lucas, Cap 23, Vers 46

Um salvamento bem sucedido

Hoje, Domingo de Ramos, fazemos memória da entrada de Jesus em Jerusalém, onde o espera uma multidão acenando alegremente com ramos de todos os tipos. Mas este triunfo fácil não é swenão o prenúncio de um triunfo infinitamente mais difícil do qual gostaria de vos mostrar que salva a humanidade inteira: o triunfo da cruz.

Na minha juventude, foi-me dado assistir a dois salvamentos. O primeiro teve êxito porque um mergulhador muito treinado pode aproximar-se a tempo do camarada que se afogava. Mas o segundo falhou. Foi em 1941. Sobre o glaciar de Vignemale, Alain tinha caído no fundo de uma fenda. Incólume, ele estava simplesmente preso entre duas paredes de gelo, mas a uma tal profundidade que não tínhamos corda suficientemente comprida para descer até ele. Apenas pudemos fazê-lo depois de termos ido buscar socorro a Gavarnie. Eles chegaram demasiadamente tarde. O frio tinha-o matado.

Repensando mais tarde nestes dois salvamentos, compreendi que se a nossa redenção é comparável a um salvamento bem sucedido, é precisamente porque no seu amor por nós, o Filho de Deus pôde descer a tempo ao mais profundo do nosso sofrimento humano.
Sabemo-lo bem: quando um grande sofrimento entra nas nossas vidas, nós colocamo-nos perguntas lancinantes: “Porquê? Porquê eu? porquê agora?” E o crente não é poupado por estas perguntas que apunhalam o coração. Podemos mesmo dizer que para ele a questão é ainda mais grave: se Deus existe, e se é bom, e se Ele é como dizemos todo-poderoso, então porquê? São precisamente todos estes “porquês” que estão como que agrupados no “porquê” do Filho de Deus feito homem: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?».
Mas Jesus não se fica por aí. Não se contenta por fazer seus todos os nossos “porquês”. Tendo-os acolhido fraternalmente no seu, ele opõe-lhes com tanta doçura como firmeza, a fé perfeita que ele forjou para nós no cadinho da sua cruz e que se manifesta no segundo grito: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.»
É preciso, com efeito, saber que se Jesus pôde passar do primeiro grito ao segundo, da sensação de ser abandonado pelo seu Pai, à alegria da criança que se lança nos seus braços, é ao preço de um terrível combate transformando em triunfo a primeira vitória já alcançada no deserto. «Se és filho de Deus, ordena a estas pedras que se transformem em pão!» «Se és o filho de Deus, desce, então, da tua cruz!» Ele tem a certeza de que Jesus o podia fazer, pois não seria um milagre mais espantoso do que a ressurreição de Lázaro. É igualmente certo que ele foi teve a tentação de fazê-lo, o instrumento do Tentador não sendo outro senão o terrível sofrimento e medo da morte. Mas, Filho de Deus, ele tinha um outro recurso, o que, nas suas zombarias, os sumo sacerdotes e os escribas lhe recordavam sem quererem: : «Confiou em Deus, pois disse: ‘Eu sou Filho de Deus; Ele que o livre agora, se se interessa por ele.» Ora, é forte (com a força) desta confiança, dessa fé, que, tendo enfrentado o Tentador até a última gota do seu sangue, ele provocou (suscitou?) pela sua morte a confissão do centurião romano: «Verdadeiramente, este homem era filho de Deus». Para o completo entendimento da cruz como vitória sobre o Tentador, devemos compreender que a impotência do Crucificado, ainda sendo tão dramática como a dos seus companheiros de suplício, difere delas num ponto essencial. Eles podem apenas sofrer, Ele apenas sofre renunciando a «salvar-se a si mesmo» e, portanto, «entregando-se» de forma contínua. E se Ele o faz, é, em parte, para não renegar à sua confiança filial e por outro lado, para não abandonar à sua triste sorte os homens que Ele fez seus irmãos. Esta recusa obstinada do milagre é portanto a vitória decisiva do duplo e único amor de Deus e do próximo, já que um milagre teria sido a vitória absoluta do “pecado".

Lemos nas Epístolas aos Hebreus que se Jesus é capaz se compadecer das nossas fraquezas, é porque ultrapassou sem pecar tentações mais terríveis do que as nossas. Dito isto, o autor tira disso a conclusão seguinte: «Aproximai-vos então com segurança do trono da graça (que é a Cruz), e aí vós aí encontrareis não só compaixão, mas ainda uma ajuda perfeitamente adequada.»

Ora para vos aproximardes desta cruz, acrescenta, ele, começai por comê-la com os olhos, sim, “passai pela prova que vos é proposta com os olhos fixos em Jesus" que, aceitando a sua cruz, forjou para vós uma fé absolutamente perfeita. E ao contemplar esta fé, dizei-vos que “vós ainda não resististes até ao sangue na luta contra o Pecado”. Confesso que quando me sinto ameaçado pelo desencorajamento, acontece-me muitas vezes salvar-me graças ao maravilhoso remédio que assim me é proposto. E pensando no festim que nos espera no Reino de Deus, acrescento que prolongando até à comunhão essa manducação com os olhos, consigo por vezes a comer a hóstia como um “gourmet” totalmente satisfeito.

A sua fé permitiu ao Filho de Deus ultrapassar a sensação de ser abandonado pelo seu Pai para reencontrar a alegria da criança que se lança nos seus braços. Mas desta vez, Jesus forjou esta fé ao preço do seu sangue só para transfundi-lo para todos os seus “irmãos”, dando-lhes assim o meio para que eles também consigam ultrapassar essa sensação de abandono.

Nota importante, esta tradução foi substancialmente melhorada por o meu amigo Marc A.
Traduzido de http://www.retraitedanslaville.org/