sexta-feira, 10 de agosto de 2007

"Quero Ver Jesus"

Sicómero

Este pequenino texto foi escrito em 05 de Abril de 2004



"Quero Ver Jesus"
Realizou-se, ontem, no hangar do Aeroporto a Missa de Domingo de Ramos em que a Igreja Católica comemora o Dia Mundial da Juventude. O título da mensagem que o Santo Padre escreveu para este dia é "Quero ver Jesus".


Ver Jesus onde? Como? E será que O quero mesmo ver?
Ver Jesus no outro que sofre, no outro que precisa, e que está mesmo aqui ao lado, na minha rua, no meu bairro, na minha ilha. Mas geralmente nós só vemos os nossos problemas e valorizamo-los de tal forma que só eles existem, somos os mais infelizes, os mais carenciados e os outros não existem para além do horizonte do nosso umbigo e hipocritamente olhamos como quem não quer ver, sorrimos e passamos adiante. Lembra-me uma canção do meu tempo de juventude, dizia o cantor qualquer coisa como isto: ..."Você quando vê um mendigo cospe no chão mas se alguém o olha estende-lhe a mão, é um homem feliz. Feliz como os bois o são nos currais e são tão felizes os animais"...Somos felizes ignorando a miséria, a dor alheia. Ignorando, não, fazendo de conta que não a vemos.


Falou-se na Missa sobre este tema, os jovens e os restantes presentes aplaudiram estrondosamente, mas...será que o que ouvimos provocará uma mudança da nossa atitude? Será que as escamas que nos cegam caíram e reconheceremos no que precisa, nem que seja do nosso respeito, de uma palavra, do muito que resta da nossa fartura, para não falar do que nos faz falta, o rosto de Jesus? Ou será que continuaremos na nossa vidinha do costume e as palavras que ouvimos não passaram de palavras lançadas ao vento e que caíram em saco roto?

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

"A linguagem de Deus"






Fotos retiradas da net

De Frei Bento, claro
Guerra e paz entre ciência e religião-Bento Domingues O.P.

É possível evitar a agressão e a ignorância recíprocas entre ciência e religião

1."Uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devem estar em guerra." Esta estridente afirmação parece recortada da literatura apocalíptica. Pertence, no entanto, a Francis S. Collins, físico, médico geneticista e director do National Human Genome Research Institute (NIH), autor de um tecido de paz entre ciência, religião e ética, num livro muito belo para umas férias de sabedoria (1).

Hoje, toda a gente sabe que o genoma humano é composto por todo o ADN da nossa espécie, o código hereditário da vida. Esse texto, recentemente revelado, tinha mais de três mil milhões de letras e estava escrito num código estranho e criptográfico de quatro letras. A surpreendente complexidade da informação contida em cada célula do corpo humano é tal que uma leitura efectiva desse código, ao ritmo de uma letra por segundo, levaria trinta e um anos, ainda que se realizasse dia e noite sem parar.

A impressão desses caracteres em papel comum, num tipo de letra normal com tamanho regular, e a junção de todas as folhas resultariam numa torre com a altura do monumento a Washington.

Quem o diz é o mesmo Francis S. Collins, responsável pelo Projecto do Genoma Humano a nível internacional, que, durante mais de uma década, se esforçara por revelar essa sequência de ADN, coordenando mais de dois mil cientistas que conseguiram esse feito notável. No seu entender, será encarado, daqui a mil anos, como uma das maiores realizações da humanidade.

2. O que terá a religião a ver com isto? Aparentemente, nada. No entanto, Collins, que trabalhou com o redactor do discurso pronunciado por Bill Clinton, a 26 de Junho de 2000, para "anunciar a conclusão do primeiro esboço de um manual de instruções para seres humanos", defendeu energicamente a inclusão do seguinte parágrafo: "Hoje em dia, estamos a aprender a linguagem na qual Deus criou a vida. Sentimos uma reverência cada vez maior pela complexidade, pela beleza e pelo prodígio da dádiva mais divina e sagrada de Deus."

Quando coube ao cientista a vez de proferir algumas palavras, assumiu explicitamente esse sentimento: "É um dia feliz para o mundo. A percepção de que vislumbramos, pela primeira vez, o nosso manual de instruções, anteriormente só conhecido de Deus, torna-me humilde e inspira-me reverência."

Ao anunciar um marco nas áreas da biologia e da medicina, não será um abuso esta invocação? Não serão antitéticas as concepções científicas e espirituais do mundo? Não deveriam, Bill Clinton e o cientista, ter evitado que elas aparecessem juntas?

A resposta de Francis Collins é simples: "Para mim, a experiência de sequenciar o genoma humano e de revelar o mais notável de todos os textos constituiu um feito científico espantoso e, simultaneamente, uma ocasião de culto."

3. Divulgou-se a ideia de que um cientista rigoroso não pode, ao mesmo tempo, acreditar seriamente num Deus transcendente. O director do NIH escreveu uma obra para mostrar que a crença em Deus pode ser uma escolha inteiramente racional e que os princípios da fé complementam, de facto, os princípios da ciência.

Sabe que são muitas as pessoas que julgam isso impossível. No entanto, as sondagens confirmam que 93 por cento dos norte-americanos professam algum tipo de crença em Deus. E entre os cientistas? Neste momento, é mais prevalecente do que se imagina.

Em 1916, investigadores perguntaram a biólogos, físicos e matemáticos se acreditavam num Deus que comunica activamente com a humanidade. Cerca de 40 por cento responderam afirmativamente. Em 1997, a pesquisa foi repetida na íntegra e, para surpresa dos investigadores, a percentagem mantinha-se praticamente igual.

Deste resultado, Collins não concluiu que a "batalha" entre ciência e religião não esteja ferozmente polarizada. Ao lançar o descrédito sobre as crenças espirituais de 40 por cento dos seus colegas, considerando-as pieguices absurdas, o proeminente evolucionista Richard Dawkins, por exemplo, destacou-se como principal porta-voz do ponto de vista segundo o qual uma crença na evolução implica o ateísmo.

Por outro lado, alguns fundamentalistas religiosos atacam a ciência, considerando-a perigosa e indigna de confiança, apontando para uma interpretação literal dos textos sagrados como único meio fidedigno de discernir a verdade científica. Um dirigente do movimento criacionista, H. R. Morris, afirmou: "Quando a ciência e a Bíblia diferem, é porque a ciência, obviamente, se enganou a interpretar os seus dados." Para o biólogo Stephen Jay Gould, ciência e fé deviam ocupar "magistérios" não sobrepostos, separados.

F. S. Collins, convertido aos 27 anos, com o seu livro, A Linguagem de Deus, vem abrir corredores de paz: nem confusão, nem agressão mútua entre ciência e religião, nem ignorância recíproca. Ele sente-se bem ao ser um cientista rigoroso e ao pegar na viola para cantar a alegria da fé. Boas férias e até Setembro.

(I) Francis. S. Collins, A Linguagem de Deus, Lisboa, Presença, 2007.

In jornal Público

"A linguagem de Deus
A linguagem de Deus de Francis S. Collins da Editorial Presença
Como surgiu o universo? Qual o significado da existência humana? Eis algumas das questões que desde há muito inquietam a nossa mente. Na tentativa de encontrar respostas satisfatórias, religião e ciência têm-se degladiado numa batalha que as coloca em posições antagónicas e que é para Francis Collins, o autor deste livro, absolutamente insensata.
Na sua perspectiva de cientista altamente rigoroso e de crente honesto, Collins defende a complementaridade das concepções científica e espiritual como sendo a via mais equilibrada para desvendar o mistério da vida e do universo. E é justamente aí que reside o objectivo desta obra – explorar essa via de integração privilegiada com toda a seriedade intelectual. Uma leitura imprescindível para todos os crentes, agnósticos e ateus que se interrogam sobre as questões fundamentais da existência e desejam aprofundar a sua reflexão sobre elas."

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Mêdo


Foto da autoria de Paulo César, Mil Imagens



Imagem da autoria de Rui Vale de Sousa - Mil imagens. Título: Mêdo


Difícil, quase impossível abraçar quando o outro vira costas e foge...estou angustiada e triste...os meus passos não são suficientemente largos para o alcançar e não posso correr correndo o risco de parecer perseguir...Pai, ajuda-me a não perder os que nos confiaste





Amen

terça-feira, 31 de julho de 2007

Reféns Sul-Coreanos

Foto retirada do site da petição

"Todo o homem é meu irmão" ouvia eu a voz do meu conterrâneo Padre António Rêgo dizer há muitos anos.


As notícias sobre o rapto dos Presbiterianos, sul coreanos, tem feito com que essa frase me martele o cérebro e a alma. Como é possível que, ainda, não se tenha criado um movimento internacional de boas vontades em defesa destas vidas? (se está criada, desconheço) Onde estão os defensores dos Direitos Humanos? Onde estão os defensores da vida humana? Não há forma de pressionar o governo do Afeganistão no sentido de acções que resultem na libertação dos Missionários Sul Coreanos. Estou triste, muito triste. A Comunidade Internacional reage a que estímulos? É preciso que sejam sacrificados mais meia dúzia? Ou todos para depois dizerem que coitados se calahr deveriam ter ficado em casa em vez de irem evangelizar?
Não é altura para avaliar as razões dos Talibãm, é, apenas, altura de exigir a libertação dos Sul-Coreanos que, ainda estão vivos
É ou não todo o homem meu irmão?


Acabo de encontrar na net uma petição http://www.avaaz.org/en/honour_the_afghan_code/b.php/?CLICKTRACK Assinem-na e passem a informação

sábado, 28 de julho de 2007

"Deus é amor"




Ando "há séculos" a ler o livro do Teólogo galego Andrés Torres Queiruga, Recuperar a criação. Há séculos porque não é fácil de ser lido porque tem que ser entendido, para além do facto de ser uma tradução brasileira.



Ontem ao fim do dia, dei um saltinho à praia de Nossa Senhora da Guia em Vila do Conde e li mais umas linhas, junto ao mar.



O que li, não me surpreendeu pois foi dentro da "linha" de raciocínio que já conheço ser a de Queiruga, mas confesso que me abalou. Passo a vida a pedir ao Pai que me faça instrumento e a pedir a mim própria que O deixe, sempre, fazer-me instrumento pois sei que é preciso que eu queira: tenho sempre a liberdade de dizer que sim ou que não.



Queiruga deu-me uma visão nova da Parábola do Samaritano (Lc 10, 29-38) ao dizer:

" pela injustiça de certos homens, aí, à beira do caminho, está um ferido, sangrando e exposto à morte. Muitas vezes, ao ler ou escutar esta narração, prescindimos do protagonista mais radical e fundante: Deus. Aquele ferido é filho seu que ele ama - sem metáforas- com amor infinito e disposto a tudo, buscando salvá-lo a qualquer preço...

... Quando passa o sacerdote, é ele (Deus), que mediante sentimentos de compaixão, a partir do impulso à solidariedade, a partir da voz da consciência...convoca-o a vir em ajuda do seu irmão. Mas - e tal é o risco de Deus: a impotência histórica do amor ferido - Deus não pode nem quer forçar a liberdade: o sacerdote não faz caso, e o ferido continua sangrando, exposto à morte; passa o escriba, e ocorre o mesmo; finalmente, passa o samaritano, que sente o apelo, por ele deixa-se guiar e acode em ajuda ao doente. Neste momento Deus pode, finalmente, salvar aquele homem.

O samaritano é verdadeiramente a sua mão: sem ela, Deus nada poderia fazer..."


E mais adiante: "Deus nunca acontece de maneira tão profunda, intensa e pura como quando um homem ou uma mulher acodem em ajuda a outro homem ou a outra mulher. Não podia ser de outro modo, dado que "Deus é amor", e nas pessoas culmina seu movimento criador."

A revelação bíblica procede dessa intuição..."



Resumindo muito:

depende de cada um de nós aceitar ou não o Seu apelo, a missão de co-autores na história da salvação que nos quer confiar, ser a Sua mão, para que Ele aconteça. Sou livre de aceitar...ou de recusar...Como posso eu conscientemente recusar? Não posso, nem quero...




Amen


Os bold são da minha responsabilidade

sábado, 21 de julho de 2007

"Que fizeste do amor?" Irmão Silencio, Trapista

Há encontros fortuitos que se revelam marcantes. Ter encontado este homem em Abril de 2002 foi de extrema importância para que eu tenha crescido, aberto o meu coração e os meus olhos para a espiritualidade, para a Fé (não quero dizer que ele tenha sido o único responsável, há outras pessoas também sem as quais eu não estaria a trilhar os caminhos que trilho). Com este encontro e com outros ficou demonstrado como a net pode ser ponto de encontro, troca de ideias, apoio mútuo, evangelização, Foram cerca de 2 anos de acompanhemento espiritual.
Uma sua frases que retenho e que medito pois acho que sintetiza a base da Fé:

"O Pai jamais diz NÃO mas um ESPERA mesmo que os teus pecados sejam uma floresta que rompe os caminhos da tua alma com as suas raizes do mal. Espera no Senhor e sê misericordioso O dia virá do ENCONTRO e as suas palavras jamais serão o que fizestes? mas sim onde deixaste semeado o Amor que te ofereci naquele dia em que ambos nos encontramos?"

Amor! Sempre e só o amor.
Onde semeaste o amor que EU te ofereci. Eu dei-te amor para tu o colheres cem por um e dares amor, que fizeste dele?

sou remetida para o Hino ao amor da carta do Apóstolo S. Paulo aos Corítios numa tradução do Padre José Tolentino Mendonça


Se eu falasse as línguas dos homens e até as dos anjos,
mas não tivesse amor
seria bronze que soa ou címbalo que tine.
Se tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os
mistérios e todos os
saberes,
se a minha fé fosse a ponto de mover montanhas,
mas não tivesse amor, eu nada seria.
Se repartisse pelos pobres tudo quanto tenho, e meu
corpo entregasse às
labaredas
mas não tivesse amor, nada ganharia.
0 amor paciente, repleto de bondade,
amor que desconhece inveja e não ostenta orgulho,
amor sem vaidade, que descura o próprio interesse,
e não se irrita e não suspeita mal,

o amor que não colhe alegria da injustiça, mas se alegra
com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
0 amor jamais acabará:
há um tempo em que vacilam as profecias, as línguas
emudecem e o saber
desaparece
porque só em parte conhecemos e só em parte
profetizamos,
mas quando chega a perfeição
os limites apagam-se.
Quando eu era criança, falava como criança,
sentia como criança, pensava como criança:
quando me tornei homem abandonei
as coisas de criança.
Agora vemos por um espelho, e de maneira obscura, o
que depois veremos facea face.
Agora conheço apenas uma parte, mas então
conhecerei
conforme também sou conhecido.
Agora permanecem fé, esperança, amor, todos juntos.

Mas o maior de todos é o amor.

Onde quer que estejas, Irmão...

"Sanctus, Sanctus, Sanctus..."

Amen






quarta-feira, 18 de julho de 2007

Bartolomeu dos Mártires

Hoje é dia do "Grande" Beato portugês Fei Bartolomeu dito dos Mártires por ter nascido na freguesia lisboeta do mesmo nome. É importantíssima a sua intervenção no, agora muito falado (devido ao rito de celebração da Eucaristia) Concílio de Trento e nas medidas que tomou para a sua aplicação na Diocese de Braga onde era arcebispo.


Transcrevo texto retirado do site dos Dominicanos portugueses http://www.dominicanos.com.pt/index.asp?art=6604


Nascimento
Lisboa, não contente por ter dado ao mundo um dos mais notáveis contributos para a Civilização, foi berço glorioso de nomes de projecção universal. Bastará citar para o nosso intento: Santo António de Lisboa e D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, Santo Arcebispo de Braga e luminar do Concilio de Trento.
É deste último que nos vamos ocupar nestas breves reflexões. O Beato D. Fr. Bartolomeu dos Mártires nasceu na freguesia de N.ª Senhora dos Mártires, da Cidade de Lisboa, em 3 de Maio de 1514. Era filho de Domingos Fernandes e de Maria Correia e usava o apelido do Vale, que era de um avô.
Os seus pais eram profundamente cristãos e deram-lhe uma esmerada e digna educação cristã em todos os aspectos.

Faz-se Dominicano
Veio a abraçar a vocação dominicana no convento de S. Domingos de Lisboa, tendo professado a 20 de Novembro de 1529. Acrescentou ao nome que usava o apelido de Mártires em memória da invocação da Igreja em que fora baptizado.
Formou-se em Filosofia e Teologia, ciências que ensinou, com notável êxito durante mais de 20 anos, em Évora, onde teve por aluno D. António Prior do Crato, na Batalha, em Salamanca e em S. Domingos de Benfica, aonde o veio buscar a Mitra de Braga, entrando na Arquidiocese Bracarense solenemente em Outubro de 1559. Deixou escrita uma vasta obra de teologia e espiritualidade.

Arcebispo de Braga
Aceitando a dignidade de Arcebispo de Braga por obediência, participou, como Primaz das Espanhas, na fase conclusiva do Concílio de Trento (1562-1563), para onde partiu em 1561. Ia acompanhado apenas de um teólogo, do seu secretário, de um capelão e do mínimo de familiares. No Concílio distinguiu-se pelo saber e zelo da renovação da Igreja e edificou a todos pela santidade. A correspondência do Concílio chama-lhe «douto e religiosíssimo Prelado», «homem de grande santidade e religião» e S. Carlos Borromeu afirma que o tomou por exemplo a imitar.
Num dos intervalos das sessões conciliares, foi a Roma, onde se demorou 17 dias, em visita ao Papa, quer dizer em visita «ad sacra limina». Voltou para Trento para assistir ao encerramento dos trabalhos conciliares. Rejubilou com a feliz conclusão do Concílio, e, numa carta de despedida a S. Carlos, afirmou que «só falta empenharmo-nos com todas as forças para o aplicar».

Aplicação do Concílio
Para levar a efeito, dignamente, a execução das disposições conciliares; reuniu um Sínodo diocesano, na sua Catedral, e depois um Concílio da sua Arquidiocese ou província eclesiástica.
Tratou imediatamente da fundação do Seminário Conciliar, vencendo a oposição do cabido.
Este constituiu o seu programa pastoral realizado em Braga com zelo e constância heróicas, superando todas as dificuldades. S. Pio V em carta a D. Sebastião, referindo-se às contestações sofridas pelo Beato, declara-se muito penalizado e afirma que o Arcebispo «pela exímia santidade merecia ser amado e reverenciado». Ainda na linha da renovação da Arquidiocese de Braga, purificou o culto divino, dignificou e protegeu o clero, fundando, além do Seminário Conciliar, como já foi dito, outros centros de estudos teológico-pastorais, estimulou a educação e instrução da juventude, promoveu a assistência social, socorrendo viúvas e órfãos e distribuindo, liberalmente, pelos pobres quanto tinha, preferindo viver ele em extrema pobreza para ter mais que dar e matar assim a fome a mais necessitados como bem escreveu Fr. Luís de Sousa na sua Vida do Arcebispo.

Bispo-Pastor
Visitou mais que uma vez a sua vasta Arquidiocese que se estendia a Bragança e a Freixo de Espada à Cinta. Em Janeiro de 1560 percorreu como Pastor as terras do Barroso, Trás-os-Montes e Alto Minho, regressando no princípio da Quaresma. Encontrou muitas freguesias em lastimoso estado, pela falta de cultura do Clero e ignorância religiosa do povo, mandou traduzir para uso dos sacerdotes, a Suma dos Casos, do Cardeal Caetano, e ele próprio compôs, para os fiéis, um Catecismo da Doutrina Cristã, e um livro de Práticas Espirituais.
Fundou o convento de S. Domingos, em Viana do Castelo, destinando-o a promover os estudos eclesiásticos daquela vasta zona da Arquidiocese.
No governo da Arquidiocese, D. Fr. Bartolomeu dos Mártires revelou-se, como já insinuámos, um verdadeiro e extraordinário Pastor pelo seu amor à Igreja e caridade para com os pobres a quem socorreu por ocasião da peste de 1570.
Ocupava a Sé de Braga, quando faleceu D. Henrique, o Cardeal-Rei, cuja morte deixava em aberto o problema da sucessão ao trono de Portugal. Era-lhe grata certamente a candidatura de D. António, Prior do Crato, seu amigo e seu antigo aluno. Absteve-se, porém, de tomar partido, com certeza por não lhe ver possibilidade de êxito.
A Cidade de Braga amotinara-se em favor do Prior do Crato. Para não se ver envolvido em complicações de assuntos que não eram do seu múnus pastoral, retirou-se para Tuy (Galiza) onde adoeceu gravemente e só pôde voltar à Diocese quando já reinava D. Felipe com o título de Felipe I de Portugal e II de Espanha. De Tuy regressou à Diocese, voltando às visitas pastorais. D. Fr. Bartolomeu, pouco depois, pediu a Felipe II, a renúncia ao Arcebispado, qual foi aceite. E, de Tomar, escreveu ao Papa Gregório XIII formulando semelhante pedido.

Morre em Viana
Estava em Viana, quando lhe anunciaram que e Papa nomeara novo Arcebispo para a Sé bracarense. D. Fr. Bartolomeu dos Mártires recolheu-se imediatamente ao conventos de S. Domingos de Viana, envelhecido e cansado. Ali veio a falecer, como apóstolo e santo, em 16 de Julho de 1590. À hora da morte os bracarenses pretenderam levar para Braga o seu corpo, mas os vianenses opuseram-se de armas na mão.

Processo de Beatificação
Em 1702 o Arcebispo D. João de Sousa mandou organizar o processo relativo à heroicidade das suas virtudes e aos milagres atribuídos à sua intercessão. Ficou concluído felizmente em 1845, pela promulgação do Decreto sabre a heroicidade das suas virtudes.
Foi beatificado por João Paulo II no dia 4 de Novembro de 2002. A sua festa litúrgica celebra-se a 18 de Julho.
Há, em várias línguas, numerosas biografias de D. Fr. Bartolomeu dos Mártires. A mais conhecida é a do clássico Fr. Luís de Sousa, da Ordem dominicana.