terça-feira, 17 de julho de 2007

Os "meus" salmos








143 (142) na Nova Bíblia dos Capuchinhos 1ª edição de Nov de 1998



Escuta, Senhor, a minha oração;
pela tua fidelidade, atende as minhas súplicas;
responde-me pela tua justiça.
Não chames a contas o teu servo,
pois ninguém é justo na tua presença.


Os meus inimigos perseguiram-me
e deitaram-me por terra;
obrigaram-me a viver nas trevas,
como os que já morreram há muito tempo.
O meu espírito desfalece dentro de mim,
gelou-se-me o coração dentro do peito.
Recordo os dias de outrora,
medito em todas as tuas obras
e penso nas maravilhas que realizaste.
Ergo para ti as minhas mãos;
como terra seca, a minha alma está sedenta de ti.


Senhor, responde-me depressa;
estou prestes a desfalecer!
Não escondas de mim a tua face,
pois seria como os que descem à sepultura.
Faz que eu sinta, desde a manhã, a tua bondade,
porque é em ti que eu confio.
Mostra-me o caminho a seguir,
porque para ti elevo a minha alma.
Livra-me, Senhor, dos meus inimigos,
porque em ti me refugio.
Ensina-me a cumprir a tua vontade,
pois tu és o meu Deus.
Que o teu espírito bondoso me conduza pelo caminho recto.


Senhor, por amor do teu nome, conserva-mea vida!
Pela tua bondade, tira a minha alma da angústia!
Pela tua fidelidade, esmaga os meus inimigos;
destrói todos os que atormentam a minha alma,
porque eu sou teu servo.




Claro que eu não quero que o Pai esmague, ou destrua seja quem for



Amen

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Diálogos inquietantes-3 Sacerdote, Levita ou...?


Este homem vai todos os dias à marginal de Ponta Delgada levar milho às pombas, elas conhecem-no
*
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Quem quero eu ser? Quem queremos nós ser? Orantes ou participantes? Ou ambos?
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No MSN, esta manhã:
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- tenho acordado as 3 da manhã para rezar as mil Ave Marias,pois estou fazendo uma novena de novenário e como hj e quarta feira eu acordo as 3 da manhã daqui do Brasil.
- Oh ..., antes dedicasses o teu tempo numa Missão a ajudar pessoas que precisam e as há aí à tua porta. Rezar é bom, mas rezer é meditar e eu não acredito que medites cada AvéMaria que rezas.
- mas pelas misericódias de Deus Ele age na minha fidelidade
- Não entendi
- A minha fidelidade é a que importa a Deus.
- Ser fiel a Deus é ser fiel ao amor. Ao amor a Ele no próximo. Vc viu o Evangelho de ontem? Quem foi o próximo do homem caído na valeta?
O que reza as Mil Avé marias ou o que o ajuda?
- São 5 horas de pura contemplação.E rezo pelos Sacerdotes em crise.Eu creio não importando quem creia ou não. Pois quem me pede é o Senhor Jesus Eucaristico no mosteiro da Santa Cruz.
Então vc me entendeu?

Eu rezo pelos Sacerdotes em crise e caido
- Não entendo não
- deixa pra lá
- Mas para além dessas 5 horas de contemplação o que faz mais vc?
- eu ai pratico
- Como?
- oro pelas pessoas on line
Aqui mesmo, oro pelas pessoas aqui na internet, devemos evangelizar aqui como o nosso saudozo João Paulo II nos pediu
- claro que devemos e sabes que o faço, também
- Eu acho uma tremenda Bênção este momento de que estou vivendo.
Sinto um carinho de Deus muito grande por mim.Para eu acordar as 3 da manhã do Brasil e de tomar banho e a começar a rezar a coroa de São Miguel para depois rezar as mil Ave Marias.
- Mas ajuda-me a entender
- Quantos minutos usas a orar cada Avé Maria? Tu meditas a oração ou dizes as palavras mecânicamente sem pensares?
......................................................
- Sabes? Eu tenho dificuldade em rezar o terço. Dou por mim a pensar em tudo menos no que os meus lábios dizem. Faz lembrar-me a estória que o Adriano contou dos dois Monges: dizia um que quando orava não havia nada no mundo que o distraisse
O outro, coitado, dizia que tinha imensa dificuldade em se concentrar na oração.
- Olha hj neste momento ao ler teu escrito senti um arrepio e Deus e quer que tenha este gosto pelo terço
-um dia estavam ambos lado a lado de joelhos a orar e diz o segundo: Tenho um burro para lhe dar. Passados minutos diz o que nunca se desconcentrava: o burro traz albarda??
- pois a cada 10 Ave Marias que rezas são a cada uma o decálogo e as 5 dezenas são as 5 chagas e e os 4 terços é a vida de Jesus. Começe a comtemplar neste sentido de que tens uma bíblia em suas mãos.
- Sabes? Prefiro rezar as Horas, tem os Hinos, os Salmos, as leituras e as orações. Tem que ser lido e meditado, não dito de cor sem pensar.
- Ah, esqueci de dizer que também rezo as Horas.
- Conheces algum site com as Horas em Português? recitadas? A Maria encontrou mas em Francês
- Que chic, em francês. Vou pesquisar depois digo
*
Samaritano?

domingo, 15 de julho de 2007

De certa forma eu estive lá

O Pedro e o Adriano em Montariol

Hoje, 15 de Julho pelas 11 horas UTC que é a hora, actualmente, dos Açores foi ordenado em Angra o meu querido amigo Pedro, Franciscano. "Ide e anunciai", "Ai de mim se não o fizer". Hoje na Eucaristia, eu na Eucaristia tenho sempre presente os que amo e que precisam de um carinho especial do Pai (os que eu conheço e todos os outros), desejei que o Pedro seja um "servo fiel" e que seja feliz na sua Missão pois só sendo felizes conseguimos colocar no que fazemos a alegria que convence, que cativa.

De certa forma eu estive presente na cerimónia com o meu coração e a minha oração em Comunhão.


Amen

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Diálogos inquietantes 2-Sexta treze


Tenho um colega de serviço que tendo sido católico se "bandeou" entretanto para uma organização que promete o Céu na terra, mundos e fundos, a cura de todas as maleitas a troco de...enfim...mas o certo é que o homem anda sempre com o livrinho de orações engatilhado e qualquer intervalinho lhe serve para o "dedilhar". E nós? Quando oramos? Mas isso são contas dos rosários que desfiamos a metro (tenho um amigo que se intitula o...das Mila Avé-Marias)


- Sabe que hoje é 13 dia abençoado?

Eu, que quer este agora? para mim todos são abençoados e eu nem sou superticiosa e nasci a 13

- Abençoado? Que quer o senhor dizer?

Lá vem uma das teorias dele...Que faço? Respondo à letra e discutimos ou deixo passar? (tenho um livrinho que se chama "saiba defender a sua Fé" (assim mais ou menos, saiba ou aprenda que quase vai dar ao mesmo pois quem aprende sabe) acho-o um pouco primário, mas fazia bem a muita gente tê-lo à mão de semear...muitas vezes, ou quase sempre, ficamos afónicos quando "eles" nos vêm com os versículos para demosntrarem a "sua" verdade.

- Todos os dias são abençoados, diz ele. Aleluia, penso eu, estamos de acordo!!!

- Poça, Senhor...e eu a pensar que o senhor me ia dizer uma tolice... E rimos os dois a bom rir. Assim gosto dos nossos diálogos


Amen

Divagações ao correr dos dedos (já não escrevemos com penas) Hino à alegria





Hoje, dia 13 de Julho aconteceu o concerto de abertura dos Prom's.


Ouvi o concerto "aos bochechos", quisera ter estado na plateia do Royal Albert Hall (ai...ai...quero a reforma Já! e já agora que os meus filhos tenham uma vida estável, um dia destes voltarei a este tema), ou, no mínimo, paradinha num sítio qualquer dentro do carro ou no sofá de uma das minhas casas (um drama estas minhas casas, um dia eu conto) a ouvir a transmissão da RDP, antena 2. A encerrar o cencerto o Hino/ode à Alegria da Nona Sinfonia de Bethowen com letra (Poema) de Friederich Schiller. Emociono-me sempre como se fosse a primeira vez e já a ouvi algumas vezes, a primeira ao vivo no galinheiro, em pé, do, meu Deus, e agora, foi no Rivoli da actual polémica pois os outros concertos foram lá todos ou porque era a Nona foi no Coliseu que deixou de ser polémica porque tem Amigos (quem tem amigos não morre à fome, digo eu e diz o ditado que não morre na cadeia). Bom, o certo é que assisti duas vezes à Nona ao vivo e fico sempre lavadinha em lágrimas. Na última vez ao terminar, eu a chorar digo à minha Ângela, só falta fogo de artifício, a orquestra recomeça o Hino à alegria e o céu estrela num maravilhoso colorido artificioso e eu: Não disse que faltava? Estavamos na Atalaia e parecia que estavamos no Céu e eram anjos a cantar e era a alegria do irmanar.


Bethowen estava surdo, compunha sentindo o vibrar do soalho, mas desde há muitos anos sonhava em compor para o Hino que Shiller escrevera e que termina assim:

Mundo, pressentes tu o Criador?
Busca para lá da abóbada estrelada
Para além das estrelas deve ele morar.
Amen!

Flash 1


Dia 5 de Março de 2007, Domingo


Roma


Iamos a caminho da Praça de S Pedro


- Que hábitos lindos

- São os Irmãos de Foucault

_ Não digas! Lindos mesmo.

Aponto a máquina, mas como iamos em sentido contrário o tempo foi curto e a focagem foi fraca. Mas mesmo assim aqui fica o registo


Jesus-Caritas Charles de Foucauld

A oração do Abandono (original)


A minha tradução:


23:46_________Meu Pai, nas Vossas mãos entrego o meu espírito”_____É a última oração do nosso Mestre, do Nosso Bem amado. Possa ela ser a nossa…E que ela seja não somente a do nosso último instante mas a de todos os nossos instantes.: Meu Pai, eu entrego-me nas Vossas mãos, meu Pai eu confio-me a Vós, meu Pai eu abandono-me a Vós, meu Pai, fazei de mim o que vos apetecer (agradar), o que quer que façais de mim, eu vos agradeço; obrigada por tudo, estou disposto a tudo, aceito tudo; agradeço-vos tudo; para que a Vossa vontade se faça em mim, meu Deus, para que a Vossa vontade se faça em todas as Vossas criaturas, em todos os Vossos filhos, em todos aqueles que o Vosso coração ama; eu não desejo outra coisa, meu Deus; entrego-Vos a minha alma, nas Vossas mãos; eu Vo-la dou, meu Deus, com todo o amor do meu coração, porque eu Vos amo, porque é uma necessidade minha…dar-me, colocar-me nas Vossas mãos sem medida; eu abandono-me nas Vossas mãos com infinita confiança pois Vós sois o meu Pai


A Oração do abandono Versão oficial

Meu Pai,


Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.


Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criaste,
Nada mais quero, meu Deus.


Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo.


E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és... Meu Pai!



Quem é/foi este homem que se abandona desta forma à vontade de Deus?



Numa manta de retalhos retirados de várias fontes que irei mencionando

Charles Eugène de Foucauld nasceu em 15 de Setembro de 1858 em Estrasburgo, (França).De meio familiar aristocrático, fica órfão de pai e mãe em 1864. Frequenta a Escola Especial Militar de Saint-Cyr. É herdeiro de uma enorme fortuna, que rapidamente delapida em jogo, indisciplina e excentricidades. Retrata-se e, já oficial do exército francês, é colocado na Argélia. Deixa a vida militar e torna-se explorador em Marrocos. Chega a receber uma medalha da Sociedade Francesa de Geografia em reconhecimento do trabalho de investigação no Norte de África.
Mais tarde, uma prolongada reflexão sobre a vida espiritual vai conduzi-lo a uma conversão súbita e leva-o a ingressar na Ordem Trapista. Nesta Ordem estabelece-se em França, e depois na síria. Deixa os Trapistas em 1897 em busca de uma vocação religiosa autónoma e ainda não definida. É ordenado sacerdote em 1901. Regressa à Argélia e leva uma vida isolada do mundo numa zona dos Tuaregues, mas interventiva junto da população. Aprende a língua Tuaregue e estuda o léxico e gramática, os cantos e tradições dos povos do Deserto do Saara. Tem a intenção de criar uma nova ordem religiosa, o que sucede apenas depois da sua morte: os Irmãozinhos de Jesus. É assassinado por assaltantes de passagem em 1 de Dezembro de 1916. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 13 de Novembro de 2005.

(Wikipédia)


"Charles continua os seus estudos no liceu de Nancy. A formação Cristã da sua infância permite-lhe fazer uma fervorosa Primeira Comunhão em 1872, mas não irá ser suficientemente sólida para o ajudar na sua adolescência e, a partir de 1874, ele perde a Fé."

Entra na escola militar e leva uma vida de esbanjamento, mas corajosa o que lhe vale reconhecimento e honrarias. Sai do Exército e vai para Paris. Começa a ter inquietaçãos de caracter religioso e com a preciosa e discreta ajuda de familiares tenta fazer um curso de religião e pede ajuda a um padre, Abade Huvelin, que em vez de lho dar, apenas, o convida a confessar-se e a receber a Comunhão. Para Charles é a conversão, uma graça que o vai acompanhar o resto da vida. Resolvido a não continuar a viver senão para aquele Deus de jesus Cristo que veio ao seu encontro, faz uma peregrinação à Terra Santa. Aí descobre qual foi a vida humilde e escondida do Filho de Deus incarnado tornando-se esse home Jesus, num pobre artesão de Nazaré. Empurrado pelo desejo de O imitar com todas as forças, ele decide tornar-se monge Trapista.

Entrado em 1890 no mosteiro de Notre-Dame-des-Neiges, com vista de se recolher para sempre numa pobre Trapa da Síria, ele procura avançar cada vez mais na imitação de Jesus de Nazaré. Seis anos mais tarde, pede para deixar a Trapa; Autorizam-no em Fevereiro de 1870 a seguir uma vocação pessoal"





Os Irmãos , de Charles Foucault estão em 67 países, incluindo Portugal (Irmãozinhos/as de jesus), entre Congregações religiosas e Associações de vida espiritual e de amizade fraterna.

Na internet há alguns sites que falam de Charles de Foucault deixo-vos um texto retirado da Agência Ecclésia

Bispo do Funchal homenageia «O Irmão Universal»

"O encontro com o Islamismo e o deserto transformaram-lhe a vida. Veio a Paris falar com um director espiritual. Encontrou o Pe. Huvelin que lhe disse: «ponha-se de joelhos e confesse-se». Desde esse momento tudo mudou, Deus deu-lhe a graça da conversão. «Logo que acreditei que Deus existia, escreveu, dei conta que não podia fazer outra coisa senão viver para Ele».

1. A 13 de Novembro, a Igreja beatificou na Basílica de São Pedro, em Roma, o Irmão Pe. Charles de Foucauld, uma das figuras mais atraentes da Igreja nos séculos dezanove e vinte que marcou fortemente a espiritualidade do nosso tempo. Presidiu à cerimónia da beatificação o Cardeal D. José Saraiva Martins que, em Agosto esteve na Igreja do Monte a honrar a memória do beato Carlos de Áustria.

Nos meus tempos de estudante em Roma, nenhuma outra figura da história da Igreja contemporânea me entusiasmou tanto e a outros jovens como o Pe. Charles de Foucauld. Alimentava esta simpatia a oração humilde, silenciosa e longa, na capela de madeira, na propriedade dos Trapistas em Roma, onde as Irmãzinhas de Jesus adoravam o Santíssimo Sacramento acompanhadas por centenas de jovens.

2 - Quando o Pe. Charles foi morto em 1916 num desentendimento entre tribos rebeldes no norte de África, por ocasião da I Guerra Mundial, só 49 pessoas seguiam o seu carisma, filiadas na Congregação do Sagrado Coração de Jesus.

Hoje há milhares de homens e mulheres distribuídos por onze Congregações religiosas e oito associações de vida apostólica que seguem o seu exemplo na pobreza de vida, atendendo aos mais pobres, humildes e desprezados, procurando imitar a vida oculta e ignorada de Jesus em Nazaré.

Charles de Foucauld, apesar de ter nascido numa família nobre e cristã em Estrasburgo, na França, em 1858, seguiu o caminho do filho pródigo, teve uma juventude dissoluta, delapidou uma rica herança. Perdeu a fé aos 16 anos e viveu durante 12 anos na indiferença religiosa. Por fim entrou no exército francês e partiu para Marrocos no tempo em que a França colonizou a Argélia.

O encontro com o Islamismo e o deserto transformaram-lhe a vida. Veio a Paris falar com um director espiritual. Encontrou o Pe. Huvelin que lhe disse: «ponha-se de joelhos e confesse-se». Desde esse momento tudo mudou, Deus deu-lhe a graça da conversão. «Logo que acreditei que Deus existia, escreveu, dei conta que não podia fazer outra coisa senão viver para Ele».

Começou então um longo peregrinar procurando conhecer a vontade de Deus. Descobriu que devia imitar Jesus, principalmente na sua vida oculta e pobre. Entrou num mosteiro de cistercienses, em França, soube que havia uma trapa mais austera na Síria, depois voltou para Roma onde estudou, por fim foi instalar-se como criado e jardineiro numa casita no jardim das Clarissas de Nazaré, imitando a Jesus que ali passou a maior parte da sua vida no escondimento, como operário, pobre, desconhecido, mas nosso Redentor. Passava longas horas em adoração do Santíssimo Sacramento.

Querendo viver num lugar ainda mais pobre, já ordenado sacerdote, instalou-se no deserto da Argélia, em Beni-Abés. Passa longas horas diante do Santíssimo Sacramento. O Senhor foi o seu único companheiro no deserto. Em oração, vive como irmão de todos, recebendo pobres e doentes, estudando as línguas dos tuaregues, e escrevendo dicionários e gramáticas do mais alto nível científico, para evangelizar e para que outros missionários pudessem comunicar com aqueles pobres e ignorados do mundo civilizado.

3 - Quando lhe perguntam «porque és assim?», escreveu: «Quero habituar todos os habitantes cristãos, muçulmanos, judeus ou idólatras… a verem em mim um irmão, o IRMÃO UNIVERSAL…» Charles procura descobrir o «sagrado» que existe no outro, em todos os seres humanos, amando fraternalmente fora da sua pátria e da sua parentela.

O carisma do Irmão Charles resume-se nas duas palavras do seu lema «Jesus-Caritas». Tudo começa pelo amor de Deus Pai que se revela no seu Filho. Jesus Cristo foi o grande Amor do Pe. Foucauld. Procurou imitá-lO na vida oculta de Nazaré, contemplou-O na adoração eucarística na humilde capelinha do deserto escaldante de Tamanraset, na Argélia. Ao escrever ao seu bispo em 1908, diz: «Os meios que Jesus nos deu para continuar a obra de salvação no mundo, os meios de que Ele se serviu no Presépio, em Nazaré e sobre a Cruz são: pobreza, humilhação, abandono, perseguição, sofrimento, cruz. Eis as nossas armas».
A forma como o Irmão Charles imitou Jesus, seduziu muitos jovens e menos jovens em todo o mundo que o procuram imitar, vivendo pobres no meio dos pobres, em pequenas fraternidades de irmãozinhos ou irmãzinhas de Jesus, dispostos a viver no silêncio, escondimento, a partilha de vida com os mais desprezados, até integrando-se nas cavernas dos ciganos. São contemplativos no meio do mundo, dão testemunho do amor de Deus entre os últimos e os humilhados. São felizes, muito felizes, apesar de viverem pobres entre os mais pobres.
Os discípulos do Irmão Beato Charles são construtores do Reino, apaixonados por Jesus de Nazaré, testemunhas da Ressurreição, enamorados da Eucaristia. Quando: «Só Deus basta», resta-nos dizer como o apóstolo Paulo: «para mim, viver é Cristo e morrer um lucro» (Fil. 1, 21).
Funchal, 13 de Novembro de 2005
† Teodoro de Faria, Bispo do Funchal
“Quero amar como tu”
Meu Senhor Jesus, "
AMEN!