quinta-feira, 11 de março de 2010

Retiro na cidade - 23


A Palavra de Deus
Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar, iluminai o vosso rosto e seremos salvos.

Salmo 79 (80)

Eu venho buscar-te

Sozinhos como poderíamos voltar para Deus? Somos completamente incapazes de tomar o caminho do regresso se o próprio Deus não nos der forças. Assim, com o salmista, com todos aqueles que gritam no desespero, chamamos por Ele: «Deus, faz-nos voltar!» Através de um grito dirigido a Deus, grito inspirado pelo Espírito que habita em nós, estamos prontos para voltar, para a conversão. É a oração dos pobres a quem apenas resta uma coisa: a confiança absoluta de que Deus pelo seu amor os irá salvar. É uma questão de vida ou morte. A nossa vida está suspensa do olhar de Deus.

Por isso dê-mos a Deus livre acesso ao nosso coração. Ponhamo-nos debaixo do Seu olhar, como debaixo do sol para recebermos os seus raios. Acolhamos o Deus salvador, deixemo-lo entrar no mundo e o rosto de Deus iluminar-se-á para salvar todos os homens.
O rosto de Deus nosso Pai iluminou-se no Seu Filho. No Cristo, é o próprio Deus que volta para nós para nos fazer voltar a Ele. Salvo da morte, o primeiro, ele volta apara Seu Pai e abre-nos as portas da vida eterna. Sim, Deus salva-nos voltando e fazendo-nos voltar, libertando-nos de todos os caminhos de morte.

Quando o Seu rosto se ilumina, a ressurreição já chegou. A luz pascal pode brilhar sobre os nossos rostos para que o mundo se ilumine, permitindo-nos pousar sobre todos os homens o olhar do próprio Deus

terça-feira, 9 de março de 2010

Retiro na cidade - 22


A Palavra de Deus

10Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!»
Evangelho segundo S. João, 4, 10


Ela espera


Jesus, a Água viva, está cansado e repousa na borda de um poço. Ele, a Fonte inesgotável, tem sede e pede de beber a uma estrangeira. A Samaritana está à espera; ela, uma mulher que não pertence ao Povo eleito, espera o Messias.
A sua curiosidade condu-la a um diálogo com Aquele que é ainda um desconhecido, e Jesus descobre nela um tesouro inesgotável, condu-la para o que ela sabe ser o Essencial.

O olhar de Jesus sobre a vida dela converte o seu coração, ele não a julga, mas liberta-a, recria-a. Jesus faz dela, de forma espontânea e imediata, uma testemunha que corre a anunciar a Boa Nova aos seus compatriotas: «Não seria ele o Messias?»
A conversão dela estava alí, em gérmen, na terra boa do seu coração, que Jesus conhece desde toda a eternidade. E esta conversão faz «bola de neve»: ela empurra a dos habitantes da cidade que graças a ela acolhem Jesus.
Ainda hoje, Jesus se senta na encruzilhada do nosso quotidiano. Hoje ainda, ele se aproxima da nossa vida vulgar, acolhedor e esperando tudo de nós. A nossa conversão está lá, à espera.


Traduzido de:
http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2010-03-10

segunda-feira, 8 de março de 2010

retiro na cidade - 21



A Palavra de Deus

Eu vi a miséria do meu povo…e eu envio-te

Livro do êxodo, capítulo 3, ver 7-10



Vale a pena o desvio



A Bíblia diz que Moisés foi o homem mais doce que a terra deu! No entanto começou por matar um egípcio para salvar o seu irmão hebreu. Em seguida tomado de medo, ele foge para o deserto. Hoje ele não passa de um emigrado em terra estrangeira. Mas Deus irá «repatriá-lo».
Regressado do Deserto, Moisés vê um arbusto que arde sem se consumir. Deus manifesta-se nele. Troca de olhares e palavras, de silêncios. É o encontro. Fulgurante! Decisivo! Irreversível!
Que farás tu, Moisés, de toda essa violência que tens em ti? Desse espinheiro no íntimo do teu coração, que é, no entanto, terra santa? Deixarás tu a presença do divino transformar o poder destruidor em poder salvífico?
E Moisés abre-se a Deus. Então Deus diz-lhe: «Eu vi a miséria do meu povo. E Eu envio-te.» Querias salvar o teu povo? Deus junta-se ao teu desejo profundo, recria-o. Ele faz disso uma missão santa. Todo o encontro verdadeiro com Deus reorienta também o nosso desejo, e envia-nos em missão. Salvos da nossa própria violência, juntamo-nos aos nossos irmãos para os resgatar da escravidão pelo poder de Deus que nos conduz à Terra Prometida.

É assim que nós caminhamos juntos, da servidão ao serviço, graças ao amor ardente daquele que habita na sarça. Se portanto um misterioso arbusto se inflama no nosso deserto, não deixemos de o contemplar. Valerá a pena o desvio.


domingo, 7 de março de 2010

Retiro na cidade - 20


imagem retirada da net


A palavra de Deus
Tu crês no Filho do Homem?
Evangelho segundo São João, capítulo 9, versículo 35


Os dois milagres


Existem conversões fulgurantes, instantâneas, e outras mais lentas, como se Deus acertasse o seu passo ao ritmo daquele a quem ele vai dar essa graça – a nós, talvez…
É o caso do cego de Siloé, que Jesus encontra ao sair do Templo de Jerusalém. Um homem cego de nascença, a quem Jesus irá abrir os olhos do corpo: o primeiro milagre imediato!
Mas o segundo milagre, é o abrir progressivo dos olhos da sua fé à pessoa de Jesus, à sua verdadeira identidade. E isso através de diferentes discussões, em que ele vai ser conduzido a pronunciar-se sobre aquele que o curou.
Aos seus vizinhos de início, ele fala com prudência sobre o «homem a quem chamam Jesus». Face aos fariseus que o interpelam ele ousa avançar: «é um profeta». E quando eles reiteram as suas questões ameaçadoras, ele vai mais longe: Jesus é digno de ter discípulos, ele honra Deus e faz a Sua vontade, ele vem de Deus!
Enfim, ele franqueia o último passo da fé quando Jesus lhe pergunta: «Crês no Filho do Homem?» Dito de outra forma: Crês em mim, que vim salvar todos os homens? «Creio, Senhor!» Ao encontrar Jesus, Verdade e Luz do mundo, o antigo cego de Siloé viu todo o seu ser – corpo, espírito e alma – abrir-se progressivamente a essa Luz, cumprindo a palavra que Jesus acaba de pronunciar no Templo: «A Verdade vos libertará.» E nós, onde estamos nós no acolhimento desta Verdade que nos liberta?•
traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/

Retiro na cidade - 19


A Palavra de Deus
Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente
Evangelho segundo São Lucas, capítulo 13, versículo 3

O fruto da paixão


Uma desgraça caiu sobre um grupo de Galileus. Enquanto ofereciam um sacrifício, foram massacrados por Pilatos. Algumas pessoas relatam o acontecido a Jesus. O objectivo deles é claro, o seu julgamento afirmado: eles não podem ser senão pecadores para terem merecido essa sorte!

Eles esperam essa condenação por parte de Jesus, mas a Sua resposta é outra. Jesus não afirma que são pecadores esses pobres Galileus, nem mesmo Pilatos que acaba no entanto de cometer um crime. Por outro lado Jesus avisa seriamente os que lhe contam o acontecido: «Em verdade vos digo que se vos não converterdes perecereis todos como eles.»

Que conversão é essa tão vital, tão necessária, ao ponto de nos fazer perigar se não acontecer? Como bom pedagogo e perante a nossa legítima incompreensão, Jesus conta uma Parábola para nos abrir à sua mensagem.

Um homem tinha uma figueira plantada numa vinha, mas esta figueira não dá frutos, um verdadeiro drama para o seu proprietário: «há já três anos que eu venho buscar os frutos desta figueira e não encontro nenhum; corta-a.» Três anos em que esta figueira teve a sua sobrevivência graças à longa paciência do proprietário. Sobrevive, com efeito, mas não vive, não vive uma vida fecunda, vida que se comunica para fora de si mesma. Sem frutos ela tem a aparência de um morto vivo que é apenas um corpo sem espírito, nem alma. «porquê uso esta terra para coisa nenhuma?», exclama o proprietário! Esta figueira estéril não se alimenta do solo, não aproveita os elementos nutritivos que as suas raízes poderiam ir procurar longe nas profundezas. Ela não se preocupa com o sol nem com a chuva fecunda. Nada a toca, ela está ali sentada sem qualquer relação e sem saber que pode dar frutos e não cumpre aquilo para que foi criada. Será essa a conversão que nos é proposta: darmos frutos?

No seguimento da parábola, um misterioso vinhateiro intervém em favor da árvore: «Mestre, deixa-a mais este ano, o tempo para que eu cave à volta dela e para que eu a adube.» Normalmente o vinhateiro acupa-se dos ramos que poda para que a vinha dê boas uvas banhadas de sol. Mas aqui ele coloca-se de joelhos, ao pé da árvore, para cavar profundamente e pôr adubo.

Adubar à volta da árvore; como um forma de lhe dizer: vai ao fundo de ti mesma, a fonte está em ti. O olhar do vinhateiro é no início um olhar de confiança e de esperança de que todo o ser possa crescer deixando expandir o seu ser interior como a árvore expande e se alarga pela abundância da seiva. A conversão começa quando eu deixo penetrar em mim o olhar que faz vir à luz do dia o meu ser mais profundo. A conversão acontece com este olhar de Cristo que quer fazer crescer o homem repetindo-lhe a razão da sua existência: amar e dar a sua vida como Ele mesmo o fez «dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros; como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros.» (evangelho segundo São João, capítulo 13, versículo 34). Antes de nos dar este testamento, Cristo colocou-se ele também aos pés dos seus discípulos como um escravo, vestido com uma simples túnica e lavou-lhes os pés. Terna solicitude do mestre que não se enoja da sujidade dos nossos pés pela demasiada errância no pecado, a negação e o medo, mas ele diz-nos: «avança e continua a caminhar, sou eu quem te lava».

Precisamos de acolher a nossa conversão acolhendo um Deus que nos purifica através da sua misericórdia e do seu perdão. Deus ama-nos primeiro, muito antes de nós o amarmos, é ele o primeiro que se põe de joelhos, é o primeiro a lavar-nos e a curar-nos.

Então, sim, a vida, a verdadeira vida transmite-se e nós daremos finalmente frutos recebendo o fruto da paixão do Filho. Cristo deu a sua vida aceitando humildemente ir até á cruz, até ao rebaixamento da morte. Essa dádiva absoluta de amor, essa dádiva total da sua vida é a seiva de que nos podemos alimentar para darmos frutos. Esta vida recebida «de dentro» comunica-se «para fora» em frutos de vida mal nos voltemos na direcção dos mais pequenos dos nossos irmãos. «Deus quer que precisemos uns dos outros». Dizia a santa Catarina de Sena. A paixão de Deus pelo homem é uma paixão por uma humanidade fraterna. O fruto não é para a árvore, o fruto não alimenta a árvore. A glória da árvore é produzir fruta para que outros se alimentem. Ninguém deve viver sem o seu irmão, sem lhe levar frutos e o irmão sem o receber. Ninguém é uma figueira completamente estéril.

Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/?date=2010-03-07&lecture

Retiro na cidade - 18


Imagem de Santo Atanásio

A Palavra de Deus

E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.»
36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.

Evangelho segundo São Lucas 9, 35-36


Colocar-se na presença de Deus.


Temos tantas coisas para dizermos a Deus que a nossa oração transforma-se num boletim noticioso.
O telejornal é tão concentrado que quer apresentar o máximo de notícias em pouco tempo. Não actuemos assim com o Senhor. Ele sabe, muito antes de nós o que nos preocupará. Por isso na nossa oração deixemos espaço para a palavra de Deus. Deus veio falar-nos através do Seu Filho e testemunhas deixaram-nos traços escritos dos Seus ensinamentos. Não negligenciemos a leitura e releitura dos Evangelhos.

Acreditamos demasiadas vezes que conhecemos os textos, com efeito ouvimo-os durante a liturgia, ou mesmo guardamos a recordação da nossa educação cristã, talvez mesmo seja um dos elementos da nossa cultura.

Eu mesmo fiquei surpreso com o texto que meditámos juntos nestes últimos dias. Eu pensava conhecê-los bem e mais de uma vez fiquei confuso enquanto trabalhava.

Deixemo-nos surpreender pela Palavra de Deus, por esta mensagem de Amor universal, “porque o Filho de Deus fez-se homem para nos fazer Deus” (Santo Atanásio)

Tradução de: www.retraitedanslaville.org

Retiro na cidade - 17

Imagem retirada da net


A Palavra de Deus

33Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer

Evangelho segundo São Lucas 9, 33


Uma morada para Deus

Pedro queria construir tendas, queria instalar-se.

No Antigo Testamento, o rei David tinha querido construir uma morada para Deus, mas este havia-a recusado. Com o Novo testamento, descobrimos que Deus pelo Seu Espírito vem morar dentro de nós. O lugar onde Ele quer resiv«dir é o coração do homem. Ele não deseja, também, mais do que a nossa resposta ao amor pois Ele amou-nos primeiro e enviou-nos o Seu Filho como víctima pelos nossos pecados (primeira Epístola de João, cap 4, versículo 10)

Não sabemos rezar, diz São Paulo, mas o Espírito Santo ora em nós e por nós. O mistério de jesus que se desvenda na Transfiguração, convida-nos a a evoluir no nosso conhecimento de Deus guiados pelo Espírito.

Construiruma tenda marcaria uma paragem, fazendo-nos estagnar na nossa relação com Deus. Arriscamo-nos a fabricar o nosso próprio ídolo, um deus à nossa imagem, que responde aos nossos anseios, protegendo os nossos interesses, porque pensamos saber o que está bem.
Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2010-03-05