domingo, 7 de março de 2010

retiro na cidade - 16


Imagem retirada da net


A Palavra de Deus
32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele

Evangelho segundo São Lucas 9, 32


Entrar na contemplação

Quando nos deixamos habitar pelo Espírito de Deus, o nosso olhar elevar-se e vemos, como o Criador, que tudo isso é muito bom.

Portanto como os discípulos que tinham adormecido, podemos também sentirmo-nos adormecidos pelos nossos limites humanos, pelas penas ou pela doença.Se olharmos à nossa volta, o mundo parece estar em muito má forma e as razões de desânimo abundam.

Deus não desconhece esta situação: ele deu a Lei a Moisés e enviou profetas para dizer como vivê-la. Mas isso não bastou, pois o respeito escrupuloso da lei não elimina completamente o mal. É porque Deus quer que o homem viva que enviou o Seu Filho ao mundo para o salvar. Jesus, que é a vida, deixou que se desencadeasse contra Ele, na sua paixão, todas as forças da morte. Assim ele pode absorvê-las na sua vida e sair vencedor pela Sua Ressurreição.

O Reino de Deus não se situa num lugar geográfico, nem num regime político a ser estabelecido. Ele é obra do Amor neste mundo. Com o nosso empenho, o Reino pode acontecer. Pois o mais pequeno acto de caridade, o mais pequeno gesto de solidariedade, tudo o que eu faço em favor da vida, serão germens e sinais do Reino de Deus.


Traduzido de:http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2010-03-04

Retiro na cidade - 15


Romeiros de Nossa Senhora Mãe de Deus da Povoação, Ilha de São Miguel a orarem na igreja de São Pedro em Ponta Delgada. (Ana Loura)

A Palavra de Deus

30E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, 31os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém.

Evangelho segundo São Lucas, 9, 30e31



Ir para além do tempo e do espaço



Rezando podemos apresentar a Deus todas as intenções que temos no coração, juntando para além das contingências físicas, todos aqueles por quem desejamos que Deus intervenha. Podemos até rezar pelos mortos.

Mas podendo sair da materialidade, a oração não é um refúgio onde podemos refugiar-nos para escapar à nossa condição. Com efeito, Jesus conversa com Moisés e Elias sobre a sua missão, ele transforma-se e pode também ganhar forças para cumprir o que ele terá que fazer. A oração permite-nos sairmos de nós mesmos para encontrarmos aquele que é o todo Outro. Com demasiada frequência nós vimos orar para apresentar a Deus a nossa vontade.

Quando Jesus ensina os seus discípulos a orar, ele ensina-lhes o Pai Nosso, algumas palavras simples. Mas ele diz seja feita a Vossa vontade. A oração é antes do mais um meio de conhecer a vontade de Deus que é o poder do amor para o mundo.

Tradução de: http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2010-03-03

retiro na cidade - 14


A palavra de Deus
Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante
Evangelho segundo São Lucas 9, 29


Deixar-se moldar

A oração transforma-nos. Jesus nada faz, mas ele aparece diferente enquanto ora. Ele daixa-se moldar. Como isso nos parece impossível numa época em que a actividade reina. Precisamos de ser eficazes, rentáveis, "performantes". O homem moderno acredita que controla o seu meio-ambiente através da sua tecnologia, da sua ciência, da sua inteligência superior. Tudo acontece muito depressa, já não existe distância, posso estar no outro extremo do mundo amanhã.


Mas se os homens são tão eficazes por fora, não acontece o mesmo no interior. É um sítio que não suporta velocidades. O coração do homem é por vezesmais duro que a pedra e para ser moldado é preciso tempo.

Tenho uma amiga escultora, vi-a talhar um bloco de pedra para fazer uma estátua. Ela trabalhou muitas horas, estudando o material antes de bater com o cinzel e o martelo. Embora ela utilize por vezes a rebarbadora electrica para polir grandes áreas, os detalhes precisam de minúcia e aplicação.

O exemplo da artista pode ajudar-nos a compreender que o tempo é um aliado de Deus. Não sejamos desencorajados pelos nossos fardos e os nossos defeitos, é Ele quem seguramente age quando nós o deixamos agir.


Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/

Retiro na cidade - 13


Clautros do Mosteiro de Singeverga. Foto retirada da net


A palavra de Deus

"Jesus toma consigo Pedro, João e Tiago e foram à montanha para orarem"

Evangelho segundo São Lucas, cap 9, ver 28


Pôr-se à distância


Caminhemos ao longo desta semana detalhando o texto do evangelhos da Transfiguração (Evangelho segundo São Lucas cap 9, vers 28-36). A acção desenrola-se enquanto Jesus está em oração. Por isso eu proponho que meditemos juntgos esta passagem para vermos o que nos pode ensinar sobre a oração.

Primeiro, a oração pede que nos distanciemos. Eles vão para a montanhs. Se a montanha é na tradição bíblica o local do reencontro com Deus, ela faz-nos tambem compreender que a oração pode ser um esforço, como a escalada. Orar, é previlegiar instantes para o recolhimento, é dar-mos tempo a Deus. Nas nossas vidas activas, é preciso lutar para encontrarmos um momento livre para rezar. Mesmo no fundo dos clautros, onde a vida é consagrada à oração, o relógio é muito útil para nos chamar à capela e nos tirar monopólio das nossas ocupações. Não, não nos é fácil colocarmo-nos em oração. Não é mais fácil aguentarmos o dia-a-dia sobretudo se estamos sós.

Quero sugerir-vos alguns truques práticos: anoto na minha agenda um espaço de tempo para orar, encontro um momento na minha vida e aprendo a gerí-lo, a caminho do escritório, do liceu, do supermercado, a passear, se passo ao pé de uma igreja, eu tomo alguns minutos para visitar Jesus presente no sacrário. Esse tempo gratuíto dado a Deus, serme-á devolvido em disponibilidade para os outros. Tente e verá.

Retiro na cidade - 12


A Palavra de Deus

27E Eu vos asseguro: Alguns dos que estão aqui presentes não experimentarão a morte, enquanto não virem o Reino de Deus.»
28Uns oito dias depois destas palavras, levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. 29Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante

Evangelho segundo São Lucas 9, 27-29



O segredo do Reino

Jesus faz uma promessa: «Alguns dos que estão aqui presentes não experimentarão a morte, enquanto não virem o Reino de Deus.» E hoje, Jesus manifesta diante dos seus discípulosa sua natureza divina. Pedro pensa que o Reino prometido por Jesus chegou? Ele deseja ficar na montanha, montar tendas, instalar-se na presença de Deus.

Pedro deverá descobrir que o segredo do Reino não está numa manifestação extraordinária, mesmo divina. O véu cai. Jesus está novamente sózinho com os seus discípulos. Eles deverão pôr-se a escutá-lo seguindo-o pelas estradas da Galileia e fazerem silêncio durante algum tempo sobre o que tinham visto. A Transfiguração é dada aos apóstolos para que seja um sustentáculo para os apoiar durante as provas que eles terão de enfrentar durante a Paixão de Jesus. Eles poderão agarrar-se a esta recordação como sustentáculo da sua fé no momento em que tudo lhes parecerá insensato e perdido.

Também nós somos convocados para subirmos à montanha e sermos testemunhas de uma transfiguração. Somos chamados a ver Deus. Pela fé, nós acreditamos que ele dá-se a ver no sacramento da Eucaristia. Poderiamos então ter, como Pedro, a tentação de montar uma tenda e de pararmos alí. Mas, o seguimento de Cristo chama-nos para os caminhos do mundo.

Como os apóstolos, ponhamo-nos à escuta de Jesus quando ele fala no Reino de Deus: «40E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ » (Evangelho segundo S. Mateus, cap 25, vers 40). Este Rei dirige-se áqueles que julgou dignos de entrarem no seu Reino. Quem são eles? Aqueles que visitaram os doentes ou os prisioneiros, acolhido os estrangeiros, alimentado e vestido os pobres. Tais são aqueles sobre os quais quer reinar o rei que é Deus.

Certamente não é fácil reconhecer no outro e em si mesmo a imagem de Deus, pois ela está bem longe de ser resplandescente, da brancura luminosa que os apóstolos viram no cimo da montanha. Como ver a semelhança divina, quando o corpo está deteriorado pela idade ou pela doença, quando nos sentimos estrangeiros na nossa própria existência? Quando os nossos próximos são os nossos algozes quando deveriam ser contrabandistas do amor? Quando entre irmãos, nos afastamos, quando o ódio divide um país, quando matamos em nome da religião? Mas é esta a humanidade que Deus ama e que ele nos convida a amar com ele e como ele, para além da aparência, para que o seu reino aconteça. Seremos nós capazes de remover o véu da miséria e do nosso olhar deformado pelo pecado?

A bem-aventurada Teresa de Calcutá propõe-nos um caminho: o da oração. Segundo ela, «a oração profunda alarga o coração, levanta o véu que nos obscurece os olhos para que contemplemos Cristo em todos os rostos que nos são oferecidos e olhemos o mundo com olhar que ama. É conhecendo Jesus na oração que O reconhecemos nos corpos dos maltratados e dos mendigos. Não existe oração sem silêncio para que Deus possa entender-se com as almas. Exterior, silêncio vem purificar os nossos olhos, a nossa boca, os nossos ouvidos, todos os nossos sentidos. Interior, ele é apaziguador do coração e do espírito que conduz ao esquecimento de si, à aprendizagem da verdade e à união íntima com Deus.»



Tradução de: http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2010-02-28

Retiro na cidade - 11


Imagem retirada de http://sementinhakids.wordpress.com/

A Palavra de Deus

«O Reino de Deus não vem de maneira ostensiva. 21Ninguém poderá afirmar: ‘Ei-lo aqui’ ou ‘Ei-lo ali’, pois o Reino de Deus está entre vós.»
Evangelho segundo São Lucas Cap 17, vers 20 e 21



Da-nos hoje o nosso pão para amanhã



Será que «O pão nosso de cada dia nos dai hoje» do Pai Nosso, nos faz pedir ao Pai o pão da alimentação? Não é verdade que nós esperamos esse pão mais da terra e do trabalho dos homens? O pão que pedimos a nosso Pai do céu é um pão que não mata a fome.

Um biblista mostra que a palavra que traduzimos por «de cada dia» poderia também ser traduzinho por «de amanhã». Poderiamos portanto dizer: «dá-nos hoje o pão de amanhã». Jesus teria feito este pedido em memória do maná: Como os hebreus no deserto no sexto dia o maná para esse dia e para o dia seguinte, dia de descanso, Jesus pede a seu Pai que dê hoje o pão do descanso, o pão deste Reino, que estava a ficar mais próximo.

Já que o Pai Nosso nos faz pedir pão a Deus, e pouco importa que digamos «pão de cada dia» ou «pão para amanhã», escolhemos com Jesus a vida do Reino. Jesus revelou-nos isso pelos seus ensinamentos, pelo dom da Sua vida, pelos seus sacramentos, e introduzindo-nos também no segredo da sua oração.

Traduzido de: http://www.retraitedanslaville.org/spip.php?sommaire&date=2010-02-27

quinta-feira, 4 de março de 2010

Retiro na cidade - 10


A Palavra de Deus

39E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.»
Evangelho segundo São Mateus Cap 25, vers 39




Não nos deixes cair em tentação



A última tentação de Jesus, seria a de escapar à cruz. O «meu pai» é já, no entanto, mais forte que a tentação. Existirá mais bela expressão do que «seja feita a Vossa vontade» dessa oração, a sua oração, que ele ensina aos seus discípulos, «que seja feita a tua vontade e não a minha»?
A vontade de Deus para os seus filhos bem-amados será de qualquer forma a tortura e a morte? E a Sua vontade será que cedamos àprópria tentação, já que o Pai Nosso nos faz pedir: «não nos deixes cair em tentação»? Mas Deus não deseja para os seus filhos nada de mau. ele deseja para eles a vida em plenitude até à vida eterna, essa vida oferecida pelo Espírito Santo, que se reforça na completa recusa do mal, de toda a resistencia às tentações. É esse o caminho de Jesus. Caminho sem fuga, sem retorno.

O caminho passou pela Cruz, sinal de morte para aqueles que não a vêem como sinal, Sinal de ressurreição para os cristãos. «não nos deixes cair em tentação»: significa que a victória de Cristo sobre o mal é total. Nela, Satanás submeteu-se a Deus. Deus é o mestre das tentações do maligno. E tem poder de nos livrar delas. Assim depois: «não nos deixes cair em tentação», o Pai Nosso pede: «mas livra-nos do mal».